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  • Psic. Sabrina Vega

Novembro azul: Câncer de próstata e disfunção sexual

Novembro é o mês de incentivo à prevenção do câncer de próstata e, embora seja uma doença comum, muitos homens preferem não conversar sobre esse assunto, muitas vezes por medo ou desconhecimento.

De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele. Estima-se que em 2018 foram diagnosticados mais de 68 mil novos casos, isso significa que um em cada 6 homens desenvolverá câncer de próstata no decorrer da vida. Este câncer é a segunda causa de morte em homens no Brasil.

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada na parte baixa do abdômen, abaixo da bexiga e à frente do reto e é responsável pela produção de fluidos que constituem o esperma. O câncer de próstata cresce lentamente e pode não apresentar sintomas nos estágios iniciais. Contudo, quando apresenta, os sintomas mais comuns são:

  • · dificuldade de urinar;

  • · demora em começar e terminar de urinar;

  • · sangue na urina;

  • · diminuição do jato de urina;

  • · necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

O câncer de próstata é considerado um câncer da terceira idade, uma vez que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos de idade. Dentre os fatores de risco para a doença estão a idade (a partir de 55 anos), histórico de câncer na família, sobrepeso e obesidade. Já os fatores de prevenção do câncer são: ter uma alimentação saudável, manter o peso corporal adequado, praticar atividade física, não fumar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

Para investigar os sinais e sintomas de um problema na próstata é possível realizar dois exames, exame de toque retal e exames de sangue. Contudo, para confirmar um diagnóstico de câncer é necessário realizar uma biópsia, uma vez que o crescimento benigno da próstata também pode ocorrer com o avançar da idade.


Disfunção sexual

Com o diagnóstico do câncer de próstata, muitos homens ficam preocupados com o fantasma da impotência sexual. Contudo, é importante entender que a próstata não é responsável pela ereção e nem pelo orgasmo, sua função é produzir o líquido que compõe parte do sêmen. Porém, devido à intervenção cirúrgica, que pode ser necessária em alguns casos e, embora as cirurgias estejam cada vez mais específicas e cuidadosas, a disfunção erétil pode ser uma consequência comum do pós-operatório, assim como a incontinência urinária. No entanto, essas consequências podem ser revertidas.

Na nossa cultura é muito comum associar a virilidade masculina ao seu potencial de ter uma ereção assim como seu desempenho sexual. Dessa forma, lidar com as consequências que o tratamento do câncer de próstata causa pode produzir um impacto psicológico importante, gerando intenso sofrimento, baixa autoestima, ansiedade e inseguranças. Esses prejuízos emocionais pelos quais o paciente pode passar, podem acabar desencadeando ou contribuindo para o agravamento de uma possível disfunção sexual, às vezes mais do que a doença em si.

O acompanhamento psicológico pode ser fundamental para o enfrentamento do tratamento, uma vez que os aspectos emocionais, familiares e até culturais podem influenciar na recuperação do paciente. Ao longo do processo, psicólogo e paciente podem compreender e buscar juntos a forma mais saudável de lidar com as dificuldades assim como rever as crenças que o paciente tem a respeito da masculinidade e sexualidade.

A psicoterapia auxilia na construção do autoconhecimento, um aspecto bastante significativo no tratamento do câncer. Uma vez que o tratamento é marcado por mudanças corporais, é importante que o paciente descubra novamente seu corpo, – por exemplo, quando se faz necessário a intervenção cirúrgica, sem a próstata a ejaculação se torna escassa, porém não compromete a habilidade de alcançar o orgasmo - suas limitações e principalmente busque por novas possibilidades de sentir e proporcionar prazer, consequentemente, retomando e melhorando sua qualidade de vida e sexual.

É importante ressaltar que a próstata não é responsável pela ereção e ejaculação, e que a disfunção sexual poder ser momentânea e reversível. Existe um protocolo de reabilitação sexual para o pós-cirúrgico, que pode envolver uso de medicamentos orais ou injetáveis. Contudo a resposta à essas intervenções é individual e está muito relacionada às condições do paciente, físicas e emocionais. É possível ter uma vida sexual ativa após o câncer, mas o sucesso do desenvolvimento dessa nova identidade está diretamente relacionado ao comprometimento com o tratamento, à flexibilidade e ao interesse desse homem em rever alguns aspectos sobre si e se preparar para esse desafio.

A psicologia pode oferecer alternativas que poderão minimizar o sofrimento emocional e fortalecer recursos que esse sujeito já possui, para passar pelas dificuldades que a doença traz. Cada individuo é único e irá passar por uma situação de forma diferente, assim como o processo psicoterapêutico é específico e singular com cada paciente.


ATENÇÃO: As informações presentes nesta página têm por objetivo apoiar e informar dados úteis sobre o câncer de próstata, mas não substituem, em hipótese alguma, a consulta médica. Em casos de suspeita, procure um médico especialista de sua confiança para avaliação.


Autora: Sabrina Vega Murai - Psicóloga com foco em sexualidade CRP:08/22347

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